768 MB de VRAM já foram luxo; o apetite de hoje não é só necessidade
Um comparativo de GPUs de 2011 mostra a rapidez com que os orçamentos de memória cresceram. Para nós, parte disso é progresso real e parte é o hábito de nunca precisar economizar.
Foto: PantheraLeo1359531 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Será que 768 MB de memória de vídeo foram mesmo um "luxo", ou só esquecemos como é trabalhar com orçamento apertado? Um retrospecto do veículo alemão ComputerBase torna a pergunta difícil de evitar, e acreditamos que a resposta honesta é desconfortável para os dois lados do debate.
O que o teste de 2011 mostrou de fato
A retrospectiva da ComputerBase revisita um comparativo de outubro de 2011 com 14 placas Radeon e GeForce de seis anos de modelos, rodado em um Core i7-2600K com overclock em 14 jogos. A placa de topo, a GeForce GTX 580, tinha 1,5 GB. A GeForce 8800 GTX, que trouxe os shaders unificados e 768 MB, generosos para a época, em uma interface de 384 bits em 2006, ainda acompanhava o ritmo cinco anos depois. Em Dirt 3, chegou a 57,3 FPS.
A resolução do teste era 1.680 × 1.050, que a ComputerBase observa ser pouco mais de um quinto do 4K de ponta atual. Para comparar, o site lista a GeForce RTX 5090 com 32 GB de GDDR7.
O orçamento cresceu, mas não só porque os jogos ficaram melhores
Parte desse crescimento é legítima. Cerca de cinco vezes mais pixels exigem mais memória, e o ray tracing e os recursos mais ricos custam bytes de verdade. Não vamos fingir que uma placa de 768 MB deveria rodar os jogos de hoje.
Mas olhe a aritmética. Uma placa de topo foi de 1,5 GB para 32 GB. Um quinto do 4K não explica isso sozinho. O próprio guia de compras atual da ComputerBase diz que placas de 8 GB já não bastam para jogos modernos e que, mesmo em 1080p, muitas das recomendadas são modelos rápidos simplesmente porque só eles oferecem mais de 8 GB. Leia de novo: a recomendação é guiada pela memória, não pelos pixels. Na nossa visão, é isso que acontece quando uma indústria inteira deixa de tratar a memória como um recurso escasso.
Uma análise de memória da GTX 460 feita pela ComputerBase em 2010 mostra a mentalidade antiga. Seus editores consideraram 1.024 MB suficientes para a maioria dos jogos e disseram que uma placa de 768 MB só fazia sentido até 1680x1050 sem antialiasing constante. As pessoas mediam, discutiam megabytes e compravam pelo hardware que existia. Defendemos que esse tipo de disciplina faz bem à maneira como o software é escrito.
Programar com limites é habilidade, não nostalgia
É aqui que entram a demoscene e a programação criativa. Quem já espremeu um efeito num orçamento minúsculo sabe que memória é uma decisão de design, não um imposto. Streaming de texturas, compressão, reaproveitamento e geração procedural não são truques retrô. É exatamente o que faz um jogo que se recusa a presumir uma placa de 16 GB.
Precisamos ser justos. A retrospectiva da ComputerBase não diz quais jogos modernos específicos desperdiçam recursos, e não vamos citar nenhum. Medir o que uma engine realmente precisa em comparação com o que apenas reserva exige profiling, e não vimos esses dados aqui. Portanto, trate isto como um argumento, não como uma constatação.
Há também um contraponto que merece atenção. A ComputerBase aponta que comparar taxas de quadros entre gerações hoje é nebuloso, porque upscalers como DLSS e FSR reconstroem imagens a partir de resoluções de renderização menores e a geração de quadros adiciona imagens interpoladas. Em 2011, duas rodadas de teste bastavam. Hoje a própria régua mudou, o que torna o "inchaço" mais difícil de provar e mais fácil de ignorar.
Veredicto: exija economia, mas não culpe o comprador
Se você vai comprar uma placa, o mercado já decidiu por você. Pelas recomendações atuais, 8 GB é uma aposta arriscada para os novos jogos AAA, e não vamos discutir isso. A cobertura de Radeon da ComputerBase também informa que a Radeon RX 9050 de 4 GB da AMD fica em média 27 por cento atrás da versão de 8 GB em jogos, então economizar não parece compensar.
Mas a lição da 8800 GTX é que arquitetura e uso inteligente da memória podem durar mais que a capacidade bruta. Uma placa de design esperto continuou competitiva por cinco anos. Adoraríamos ver mais estúdios tratando o orçamento de memória como uma restrição criativa e publicando o que cortaram. Até lá, quem ainda escreve código para orçamentos minúsculos não é relíquia. São os mais bem posicionados para dizer quanto desses 32 GB é realmente necessário.
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